O título explicita a orientação ética do programa e de seus projetos: a suposição de um saber no adolescente, que pode emergir quando sua palavra é tomada com dignidade.
O Janela da Escuta acontece às sextas-feiras, no período da manhã. Propõe um trabalho interdisciplinar orientado pela ética da psicanálise e que, entre outros desdobramentos, se traduz na premissa: o adolescente especialista de si.
Chamamos de acolhimento vivo dos adolescentes e de quem os acompanha a forma de recebê-los que se contrapõe às triagens e marcações de consultas feitas de forma burocratizada.
Os acolhimentos podem ter formas e tempos diversos: entrevistas individuais, conversações ou ateliês de arte, podendo também ser breves ou prolongados. Do acolhimento, surge o fio tecido pelo adolescente nos indicando se ele fará um trabalho no Janela e como esse trabalho se dará.
Assim, recolhemos da fala de cada adolescente aquilo que pode indicar o seu desejo, ou não, de estar no Janela. A partir daí, é constituída a equipe concernente a cada caso para acompanhar o adolescente em seu percurso.
Em relação ao acompanhamento psicanalítico, a proposta é a de um percurso breve, em torno de 16 encontros. Os desdobramentos posteriores são construídos com cada adolescente, sempre considerando a tessitura de uma rede própria.
Além dos encontros individuais, ofertamos as conversações, espaços coletivos que propiciam a circulação da palavra, de modo que o singular encontre lugar no grupo. Para os familiares, há tanto a possibilidade da conversação, quanto a de um acolhimento individual.
Esses percursos não são excludentes. No campo da saúde, há a oferta de um seguimento, com uma escuta delicada, e com o acompanhamento da puberdade, do crescimento, da vacinação, da alimentação, etc. A equipe conta ainda com nutricionistas que tanto participam da construção do caso quanto podem acompanhar adolescentes quando existe tal indicação.
Além disso, durante toda a manhã de sexta, os ateliês de arte subvertem o espaço do ambulatório, propondo invenções e instigando a circulação da palavra em outro território: a sala de espera [Arte na Espera].
Uma pedagoga discute e acolhe os casos marcados por impasses escolares, promovendo, muitas vezes, uma interlocução com a escola [Adolescência e Saber].
Para alinhavar essas frentes de trabalho e de escuta, cada caso é discutido na conversação clínica interdisciplinar, que permite o trabalho coletivo de construção do caso e de desenho de uma rede sob medida.
Coordenação
Cristiane Grillo e Patrícia Regina
Coordenação acadêmica
Marília Malaguth
Ambulatório São Vicente
Alameda Vereador Álvaro Celso, 265
Santa Efigênia
Belo Horizonte, Minas Gerais
Sextas-feiras, de 8h às 12h
Instituto Undió
Rua Padre Belchior, 280
Centro, Belo Horizonte, Minas Gerais
Sextas-feiras, de 8h às 12h